Gilmar Mendes chama de “esdrúxulo” o procedimento investigativo da Receita

O ministro Gilmar Mendes, do STF, afirmou nesta quarta-feira (20) que ainda está aguardando esclarecimentos em torno de análise da Receita Federal, da qual vazaram dados relativos a ele e familiares.

“É de todo inusitado 134 pessoas [mapeadas pela Receita], vazam um caso. É um conjunto bastante esdrúxulo, muito peculiar.”

Assim que a investigação de corrupção foi revelada, o presidente do STF, Dias Toffoli, pediu a adoção de “providências cabíveis” em relação ao caso aos titulares do Ministério da Economia (Paulo Guedes), da Procuradoria-Geral da República (Raquel Dodge) e da secretaria da Receita Federal (Marcos Cintra). A medida foi pedido do próprio Gilmar.

Em documentos vazados, há citação de possíveis fraudes de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio ou tráfico de influência. “É uma coisa bastante singular”, comentou Gilmar nesta quarta-feira (20).

Cintra já comentou que a atuação dos auditores deve ter limite, e que não cabe a eles fazer “juízo de valor”, referindo-se aos supostos crimes listados no documento da Receita. Para o secretário do órgão, o “auditor da Receita tem que se referir a questões tributárias, se ele passa a outra área criminal não é competência dele”.

“De fato é uma coisa preocupante, não por mim, mas por um conjunto de pessoas. No caso, listam como 17 pessoas agregadas, ligadas a mim, que deveriam ser investigadas, inclusive minha mãe que morreu em 2007”, observou o ministro.

Gilmar disse que aguarda explicações tanto sobre o vazamento quanto sobre a apuração.

“A questão fundamental é esse ‘modus procedendi’, esse tipo de investigação. Ao longo da minha vida eu já fiz umas sete retificações de imposto de renda, já descobri aqui ou acolá que tem erro, e fiz a retificação. A mim me parece que aqui há um tipo de aparelhamento para outras finalidades, precisa realmente verificar”, avaliou o ministro.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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